cena de amor
Septiembre 27, 2007
Audiência em São Paulo contra o Abuso de Cesárias no Brasil
Septiembre 24, 2007
A cesária de meu filho foi a melhor coisa que me aconteceu até hoje. Penso nela e sorrio pois sei que ela ficou lá pra trás e que foi por causa dela que eu cresci tanto e aqui estou. No entanto, olho para meu primeiro filho e mal consigo conter as lágrimas pensando na forma como ele nasceu. Sinto uma tristeza enorme ao lembrar das primeiras horas depois do nascimento e mais, das inúmeras horas no meio da noite nos primeiros meses de vida dele que eu me perguntava uma e outra vez o que havia acontecido comigo, com meu corpo, com meu bebê, ou o que não havia acontecido.
Quando a dura realidade caiu na minha frente, ou melhor descortinhou-se diante de mim, a dor foi imensa, aí sim, condizente com aquela cicatriz que agora eu carregava e que até aquele então parecia inofensiva, abaixo da linha do biquini, tecnicamente perfeita. Quando a verdade aparece ela é dura demais e é o que vem acontecendo com inúmeras mulheres todos os dias nesta cidade, nos hospitais aqui perto de mim e em todo o país. São 80% das mulheres que preferem o parto normal e mais ou menos a mesma parcela que vê seus sonhos irem por água baixo, deslizarem corredor afora enquanto elas são empurradas para centros cirúrgicos onde suas vidas e as de seus bebês serão salvos pela tecnologia moderna da operação cesariana.
Sim, pois a cesariana foi criada para salvar mãe e bebê e hoje ela mata mais do que acidente da TAM e nem por isso estamos de luto. A cesariana foi pensada para salvar e hoje ela é usada para dizer à mãe que ela e seu bebê não foram viáveis a não ser através das mãos da medicina: foi o cordão, o tempo, a placenta, a posição, a idade da mãe, as semanas do bebê, a falta de dilatação, a vagina velha, o bebê preguiçoso, a cabeça grande, a vida sedentária, a mulher de hoje, e tantas outras desculpas para usar essa tecnologia que não é melhor do que o parto normal e nem precisava ser. Ela não deveria ser uma opção de parto e sim um salvamento, a resolução de uma emergência. Como parto, ela é capenga e faz meus olhos encherem de água ao pensar que foi somente isso que dei ao meu primeiro filho. Somente isso que minha mente moderna e racional conseguiu alcançar porque para dar mais hoje é preciso muito mais do que querer.
A gravidez toda eu só falei de parto normal, nem mencionei a cesariana pois não imaginava possível isso acontecer comigo: eu era forte, minha mãe tinha tido 4 partos normais e fáceis e eu não tinha medo da dor, ao contrário, não queria saber de drogas, eu que nem tylenol mais tomava quando tinha enxaqueca não imaginava ter que tomar anestesia num parto. Aí minha médica pediu para falar com o anestesista pois ela não faria meu parto sem anestesia. Ela disse que precisava de mim atuante no parto e temia que a dor fosse insuportável. No escritório do anestesista ouvi uma mistura de miligramas e quantidades de drogas mas a conclusão deles (não minha) é que se eu não tomasse uma analgesia na hora que a médica queria, eu acabaria tomando mais depois (?)… e nada disso chegava no bebê. Estava pagando para ouvir isso?
Sim, porque eu estava pagando o parto, a equipe e até a enfermeira obstetriz que apareceu nas últimas semanas “já que vc quer mesmo normal” – uma não, duas. Ambas trabalhavam no hospital onde meu filho nasceria e caso a primeira não pudesse ficar comigo porque estava de plantão, a outra ficaria. A estas alturas, doutora, mais 300 aqui, menos ali, não faria diferença. E foi assim que entramos na última semana de gestação. Sem curso de preparação para o parto – isso é natural, meu corpo entende disso e eu vou sacar na hora… sem curso de preparação de pais – bbs são fáceis, o que pode existir de tão complicado num bebê… e esperando algo mudar, pois minha vida estava dividida em trabalho, pagear minha mãe que veio conhecer o neto e esperar. Eu esperei até quase 40 semanas: minha bolsa arrebentou às duas e trinta da madrugada e fui à maternidade como recomendado pela médica.
Chegando lá fui examinada por uma das obstetrizes que me admitiu com 2 dedos de dilatação e contrações super fortes – de acordo com ela, pois eu não sentia nada. Fui para um cubículo onde podia ouvir as mães que realmente estavam em trabalho de parto gemendo e deitei numa maca alta com um cinto que media os batimentos cardíacos do meu bebê e lá fiquei no escuro ouvindo a conversa entre minha mãe e a enfermeira obstetriz que não estava de plantão e que eu estava pagando para me acompanhar. Duas horas e meia depois, os números do coração do meu bebê sempre constantes, nada de evolução, nada de dor – seria eu uma dessas abençoadas que não sentem dor? – a sentença. Lembro que na hora eu estava sozinha, até agora não entendo por quê. Ela disse que ele estava sofrendo. Por que? Como? Estas linhazinhas juntinhas aqui nesta tira de papel indicam isso. Sentada na maca, chorei. Uma menção de consolo e pronto, estava feito.
Ele nasceu uma hora depois, teve que ser empurrado para fora com ajuda do anestesista, eu estava com os braços amarradaos em forma de cruz e ouvi todas as conversas paralelas. Meu marido não falava comigo, ninguém falava comigo, e ainda assim perguntei se poderiam deixá-lo mais tempo na sala, quando já a enfermeira parecia estar na porta. Não, falta de pessoal do hospital, ninguém queria se responsabilizar e lá se foi ele. Lembro de ainda na recuperação minha cunhada me contar o quanto ele chorava no berçário… mas aquelas palavras soavam estranhas, afinal bebês choram, não é mesmo? Hoje choro de pensar que pude deixá-lo chorando sozinho num berço aquecido quando mãe e pai estavam ali ardendo por segurá-lo, conhecê-lo. Muita coisa estava errada!
A primeira desculpa foi o tamanho da cabeça dele. A segunda ,quando eu estava deixando a maternidade, foi a vida sedentária das mulheres hoje em dia e a terceira quando fui tirar os pontos foi: “da próxima vez, deixo você esperando”. Mas quem falou em pressa? Quem? Quem? Não fui eu.É fácil falar que o mundo de hoje não comporta mais isto ou aquilo mas são 80% das mulheres que afirmam desejar o parto normal e elas não tem aonde ir pois 80% dos partos são realizados por profissionais que não querem e não sabem… ouvir!
Ouçam de uma vez: nós queremos parir! E queremos apoio para isso: da medicina, do estado, dos hospitais! Nós queremos cuidar de nossos recém-nascidos, nós pais, e queremos apoio para isso dos profissionais de saude, hospitais e médicos. Nós queremos sinceridade: não é o cordão enrolado, é a remuneração do seguro, não é o resultado do US, mas o carnaval chegando, a formatura de sua filha, o casamento de seu irmão… eu posso lidar com isso se você lidar com isso. O ônus dessas mentiras hoje é pago pelas mães e seus bebês…. estamos abandonadas nestas questões e não queremos mais ficar assim!
A cesária do meu filho foi a melhor coisa que me aconteceu, pois foi onde perdi a virgindade em relação à medicina atual e posso hoje cuidar dos meus filhos muito melhor do que antes. Pude parir os outros dois em casa rodeada de amor e segurança. Posso hoje tomar decisões maduras e de olhos bem abertos em relação a eles e vou sempre lembrar do enorme engodo que foi o pré-natal e o parto do primeiro. Hoje, sou melhor do que eu era porque sofri uma desnecesária… e hoje digo que ninguém precisa passar pela dor da enganação. Por isso estarei nesta audiência e peço que todos que possam estejam lá. É, sem dúvida, a coisa mais importante que aconteceu nos últimos tempos para mães e bebês.
Esta audiência é aberta e estará repleta de mães e bebês que se importam com a forma do nascimento. Ela será dia 26 de setembro e é uma inciativa da Parto do Princípío. Leia mais aqui: www.partodoprincípio.com.br
Sua presença é um ato de cidadania… um ato público em defesa das mães e bebês de todo o país! Compareça, nem que seja pra conhecer essas mulheres maravilhosas que formaram a Parto do Princípio.
comendo amoras
Septiembre 24, 2007
minha rede
Septiembre 12, 2007
mamar
Septiembre 6, 2007
Mamar é assim!
É como entrar dentro da camiseta e grudar no peito. Tem calor, ritmo, cheiro e até leite!
Como não-mamar? Quando parar? Quando para de fazer sentido ou de fazer falta?
Sentar no colo e encostar a cabeça no peito coberto de algodão dá na mesma?
Se mamãe fica pelada dá mais vontade de mamar? Dá menos vontade de parar?
Quando que o gosto de algo na boca dá menos prazer?
(Quem come, engole sem prazer apenas por calorias ou nutrição?)
Vou mamar sempre até que mamar não seja sugar leite mas o amor ainda seja o alimento de meus atos, pensamentos e desejos!
para Heather e seus bbs e seus wraps!
mama água
Septiembre 6, 2007

água, muita água, muita disposição, desprendimento e água
muito apoio, sorrisos de encorajamento e toques de apoio
água, muita água e descanso mental e física
água e mais água
pergunta pra B o que mamãe precisa se o leite parece não vir… água. e ela vai sozinha buscar uma garrafa pra mim. e nesse gesto de uma menina de 4 anos tem tudo isso: compreensão, apoio e água.




