Canto Mágico
Noviembre 23, 2007

Lembro de ver meu pai parar no sinal e deixar o olhar cair sobre as mãos no volante. O sol forte e o trânsito da manhã tornavam a espera no farol mais penosa. Ele analisou a pele das costas da mão e viu que a idade começava a aparecer ali. Vaidoso, as mãos mostravam alguns sinais do tempo: manchas, rugas talvez. “É aqui onde eu noto minha idade.” Ele setenciou. Eu já o via como velho mas percebi que ele não sabia disso.
Olho para minhas mãos constantemente procurando os mesmos sinais. Depois de 20 anos, sei que eles estão chegando. E por outro lado, não sei, igual que ele. Tenho que me lembrar da minha idade. Obrigo-me a refletir sobre seu significado; existe algo que eu deveria estar fazendo, ou melhor não deveria fazer mais? Esse cós é baixo demais? E essas rugas na minha barriga não desapareceram?
Percebo que esse esquecimento do tempo é geral. Minha filha não percebe que mama como um bebê. Ela não notou que aos quatro anos ela já podia lidar com emoções e situações sem o peito. Ela nunca saberá que pode viver sem mamar a não ser que isso aconteça sem ela perceber, sem ela verbalizar e sem ela ouvir. Sem “saber” a vida muda e ela larga seu hábito infantil. Desmame natural – se é que existe.
Pois olho para minhas mãos e me pergunto se vou desmamar naturalmente da minha juventude e um dia declarar-me madura, outonal, meia-idade, amadurecida ou qualquer coisa que não seja jovem. “Sinto-me tão jovem”. A própria frase soa errada. Na verdade, sinto que sou, indepente dos anos, uma versão atualizada do que fui e atrasada do que serei. O tempo é real, somente isso.
Bruna mamando enfrenta sua realidade da melhor maneira que conhece. Amanhã sua vida muda. Bruna, minha linda mamífera de quatro anos, que você desmame transformando sua vida em algo tão gostoso ou mais!
sabe q eu tenho o mm questionamento?…
a calça está justa demais? o linguajar está “pop” demais para minha idade?…
e g., q eu achei q tinha desmamado, e de repente, voltou a mamar? ou a enfiar um, dois, vários dedos na boca, coisa q nunca fez antes?…
será q existe “esquecimento do tempo” natural?
mas, então, está tudo errado, pq é tudo tão urgente…
ando cansada, muito cansada… tempo, tempo, tempo.
saudade, amanhã te ligo!! à tarde, qdo as criancas estiverem na escola!
bjs
a.
querida analy,
seu lirismo é um presente!
gracias
Vim,pela AnaB.
Tô maravilhada aqui.
Quanta poesia,sinceridade,crias,peito,amor…
beijos
Bia