a menina entre os lírios

Agosto 24, 2008

 

Ela não anda, pula. Na verdade corre daquele jeito das meninas que em inglês se chama skip. Ela skip pra cá, pra lá… dois passos, são dois skips. Ela só usa saia e penteia seus cabelos sozinha. E ontem ela dormiu fora pela primeira vez, com cinco anos e pouco e eu sonhei com ela a noite toda.

Não imagino como seria com outra filha mas acho que seria igual, assim como eu sou minha mãe, ela também é eu. Sou minha mãe do meu jeito, mas quando amo transmito o amor que ela teve comigo, quando faço carinho foi o carinho dela que me ensinou. A acreditar na vida, entendê-la e vivê-la – ela me mostrou como. Minha mãe começou tudo e se eu não tivesse essa filha que pouco se parece comigo, não poderia saber que ela vai ser mãe como eu fui mãe pela minha mãe.

Ela não anda, ela pula, e brinca sozinha, seu cabelo é mel e seus olhos cheios de luzes e linhas quando sorri. Ela está crescendo mas acho que sempre vou lembrar o som de seus passos, que são pulos no meu coração.

Foto: sorriso para o papai

Viva a Amamentação!

Agosto 4, 2008

Viva a Amamentação.

Viva a alegria de dar alegria, alimento e amor.

De afagar no peito e guardar nos braços longos suspiros de satisfação.

Viva a segurança de saber que está fazendo o melhor que pode.

Que pode melhorar seu humor e seu amanhã com seu leite de peito.

Viva a Amamentação e celebre essa coisa tão simples e impossível de ser imitada

que une mulheres e seus bebês através dos séculos,

enquanto mães forem mães,

e bebês forem bebês,

amém

Fred, quase dois anos, tipóia indígena de casca de árvores, abertura da Semana Mundial de Amamentação 2008

 

 

parabéns, yan!

Agosto 3, 2008

 

Este é meu pai. Na verdade, é o presente de aniversário que comprei para seus 70 anos e não dei;continua assim na prateleira. Meu pai tinha a resolução do teorema de Fermat assim como ele destruiu um tênis uma vez para inserir na sola uma mangueira com ar e torná-la mais alcochoada. Isso há mais de 20 anos atrás, antes de existirem Nike airs. Lembro dele pegar uma agulha grossa de costura para tentar fechar a sola. Nada foi terminado mas a idéia é dele.

Meu pai fica emocionado e com a voz embargada sempre que fala dos filhos, de reencontrá-los. Ele sempre teve uma vida meio viajante. Hoje ele trabalha a cinco horas de casa e volta todo final de semana. Parece que ele ainda é o imigrante perfeito, o exilado por opção, que demora mais de 40 anos para voltar definitivamente para sua terra.

Assim, tempo e espaço não tem tanto significado para nós. Estaremos sempre separados embora ficamos felizes quando nos encontramos. Quando falamos, quando ouço sua voz, ouço sempre a familiaridade eterna de saber quem ele é, mesmo que ele nunca tenha visto exatamente quem eu sou.

Não importa a distância, ele sempre será o mais próximo, o primeiro, o pai.

Feliz aniversário atrasado, pai, e até nosso próximo encontro!

Eu te amo muito