parabéns, yan!
Agosto 3, 2008
Este é meu pai. Na verdade, é o presente de aniversário que comprei para seus 70 anos e não dei;continua assim na prateleira. Meu pai tinha a resolução do teorema de Fermat assim como ele destruiu um tênis uma vez para inserir na sola uma mangueira com ar e torná-la mais alcochoada. Isso há mais de 20 anos atrás, antes de existirem Nike airs. Lembro dele pegar uma agulha grossa de costura para tentar fechar a sola. Nada foi terminado mas a idéia é dele.
Meu pai fica emocionado e com a voz embargada sempre que fala dos filhos, de reencontrá-los. Ele sempre teve uma vida meio viajante. Hoje ele trabalha a cinco horas de casa e volta todo final de semana. Parece que ele ainda é o imigrante perfeito, o exilado por opção, que demora mais de 40 anos para voltar definitivamente para sua terra.
Assim, tempo e espaço não tem tanto significado para nós. Estaremos sempre separados embora ficamos felizes quando nos encontramos. Quando falamos, quando ouço sua voz, ouço sempre a familiaridade eterna de saber quem ele é, mesmo que ele nunca tenha visto exatamente quem eu sou.
Não importa a distância, ele sempre será o mais próximo, o primeiro, o pai.
Feliz aniversário atrasado, pai, e até nosso próximo encontro!
Eu te amo muito
tá justificado
Julio 9, 2008
Li hoje aqui:
“Um estudo americano sugere que o sorriso de um bebé pode provocar na mãe uma reacção de prazer semelhante àquela que se tem quando se consomem drogas.”
Será que apenas esse tipo de “dependências” (jogo, álcool e drogas) são associáveis ao efeito causado pelos sorrisos dos bebês?
A descrição do efeito segue assim:
“Os cientistas verificaram que, ao ver imagens de seus filhos a sorrir, áreas do cérebro associadas à recompensa e prazer ficaram “ligadas” ao mesmo tempo em que observaram o aumento da produção da substância química dopamina. A dopamina estimula o sistema nervoso central, produzindo adrenalina, e está associada a dependências como jogo, álcool e drogas.”
Pois é essas áreas do cérebro ligadas à recompensa e prazer andam bem em baixa em nossa cultura se elas precisam de “dependência” para serem ativadas… tem alguma coisa errada nessa interpretação… ou sou eu?
Minha “dependência”:
Somos todos mães
Mayo 10, 2008
Os sem-filhos que me perdoem, mas ser mãe é fundamental.
Não é crueldade com quem não pode ter filhos, pois ser mãe não é apenas ter um útero funcional, muito menos a propagação genética ou hereditária. A maternidade hoje, mais do que nunca, é uma resposta para muitos questionamentos que enfrentamos, tanto individualmente como em coletividade.
Na pequena sala da escola do meu filho, um colega diante de uma mesa cheia de livros e desenhos representando os cinco sentidos repetia a frase: “nós temos seis sentidos”. Na mesa, somente os cinco tradicionais eram representados. Ele disse mais uma vez “seis” e a mãe do meu lado perguntou: “qual é o sexto, então?” Ele respondeu: “a comunicação entre os animais.” Aos sete anos ele pode não saber do que está falando mas eu sei o que ele está me dizendo. É aquele sexto sentido que sempre foi associado às mulheres, que faz uma mãe virar de repente só para pegar o filho pequeno no topo da escada ou que permite que uma mãe sinta que a criança está “pra ficar doente”.
Em definitivo, é apenas uma sensação na boca do estômago ou um aperto no coração que nos move ou nos paralisa mudando o curso da nossa história mais vezes ao dia do que gostamos de admitir, e provavelmente menos do que deveríamos. Esse tipo de fenômeno não comprovado pela ciência é uma das qualidades usadas pelas mulheres em sua pouco glamurosa vida doméstica.
Outras qualidades femininas que hoje transpuseram as soleiras do lar são muito populares em revistas empresariais: comunicabilidade, compreensão, interação, trabalho em equipe, resolução de conflitos e o mais famoso de todos que praticamente define a maternidade: multi-tasking. São qualidades humanas que ficaram para trás quando o homem saiu da casa para trabalhar na fábrica. Hoje elas são ensinadas em workshops e valorizadas nos currículos de aspirantes a cargos de liderança.
O mundo continua girando e a mulher que penetra no mercado de trabalho traz sua feminilidade, ou o que sobrou dela, após anos de masculinização. Ao mesmo tempo, sentindo-se mais valorizada socialmente, ela abre espaço para redescobrir qualidades latentes. Ela começa a se permitir ser mais mulher.
Assim, o parto vaginal como explosão da força feminina surge na televisão e nas rodas de conversas. É apenas um sussurro, é pouco e a tecnologia do nascimento continua destruindo esse momento para tantos seres humanos entre mães, bebês e espectadores, mas é um sussurro que promete crescer e já aparece no folheto de uma ou outra maternidade mais sintonizada com seu tempo.
Outras qualidades maternas como colo de mãe voltam a ser faladas e a amamentação que tanto atormenta as mulheres (pelo sim e pelo não) recebe apoio oficial porque afinal, até os estudos científicos comprovam que a amamentação é uma ótima maneira de evitar problemas futuros de saúde. Já o método mãe-canguru de cuidados com prematuros, descoberto pela falta de tecnologia, permitiu a comprovação de que o espaço do colo é local propício ao melhor desenvolvimento do bebê humano. Melhor até do que a tecnológica incubadora.
E assim meio sem querer, sem saber, transferimos para o mainstream qualidades antes maternais. O sorriso da mãe que cuida do filho doente é valorizado em iniciativas como Os Doutores da Alegria; a famosa comida caseira da mamãe, é hoje modo de vida alternativa de quem faz uma alimentação mais natural; atividades antigamente exercidas pelas damas caridosas de famílias ricas são hoje transformadas em associações do terceiro setor e o voluntariado é uma instituição. Existem até estudos provando que doentes que recebem mais preces saram mais rápido, mesmo sem saber que existem pessoas orando por elas, mais uma atividade bem feminina.
Mesmo sem explicação científica de como o sexto sentido funciona nem de outros super-poderes maternos (o leite materno um deles), a nuvem negra que assombra nosso atual futuro avisa que precisamos procurar alternativas. Em vista de calamidades como inundações, falta de água, desaparecimento de cidades causadas pelo aquecimento global pergunto ao menino de dez anos que agora me conta a história da extinção do dodô:
- “O que podemos fazer para evitar a extinção de mais animais?”
Ele olha em volta e vê retratado em seu trabalho a devastação, sem resposta. Em minha mente, tomo ele no colo e asseguro que tudo vai ficar bem.
Amanhã, vamos celebrar o dia que tomamos nosso universo, nossa mãe-terra, nosso país, nossa floresta, nossa comunidade, nosso companheiro, nosso melhor amigo e inimigo, nosso trabalho e nosso corpo, nosso bebê e a criança da esquina, nos braços e decidimos mudar nosso futuro, como mães que somos todos.
Leia mais:
História do Voluntariado
http://jornaldovoluntario.blogspot.com/2007/09/histria-do-voluntariado.html
Is There a Sixth Sense?
By: Dean Radin, Colleen Rae, Ray Hymans
http://psychologytoday.com/articles/index.php?term=20000701-000034&page=2
As Rosas de Isabel Allende
http://www.nosmulheres.globolog.com.br/
Canto Mágico
Noviembre 23, 2007

Lembro de ver meu pai parar no sinal e deixar o olhar cair sobre as mãos no volante. O sol forte e o trânsito da manhã tornavam a espera no farol mais penosa. Ele analisou a pele das costas da mão e viu que a idade começava a aparecer ali. Vaidoso, as mãos mostravam alguns sinais do tempo: manchas, rugas talvez. “É aqui onde eu noto minha idade.” Ele setenciou. Eu já o via como velho mas percebi que ele não sabia disso.
Olho para minhas mãos constantemente procurando os mesmos sinais. Depois de 20 anos, sei que eles estão chegando. E por outro lado, não sei, igual que ele. Tenho que me lembrar da minha idade. Obrigo-me a refletir sobre seu significado; existe algo que eu deveria estar fazendo, ou melhor não deveria fazer mais? Esse cós é baixo demais? E essas rugas na minha barriga não desapareceram?
Percebo que esse esquecimento do tempo é geral. Minha filha não percebe que mama como um bebê. Ela não notou que aos quatro anos ela já podia lidar com emoções e situações sem o peito. Ela nunca saberá que pode viver sem mamar a não ser que isso aconteça sem ela perceber, sem ela verbalizar e sem ela ouvir. Sem “saber” a vida muda e ela larga seu hábito infantil. Desmame natural – se é que existe.
Pois olho para minhas mãos e me pergunto se vou desmamar naturalmente da minha juventude e um dia declarar-me madura, outonal, meia-idade, amadurecida ou qualquer coisa que não seja jovem. “Sinto-me tão jovem”. A própria frase soa errada. Na verdade, sinto que sou, indepente dos anos, uma versão atualizada do que fui e atrasada do que serei. O tempo é real, somente isso.
Bruna mamando enfrenta sua realidade da melhor maneira que conhece. Amanhã sua vida muda. Bruna, minha linda mamífera de quatro anos, que você desmame transformando sua vida em algo tão gostoso ou mais!
porque
Octubre 5, 2007
minha trupe
Octubre 5, 2007
cena de amor
Septiembre 27, 2007
Audiência em São Paulo contra o Abuso de Cesárias no Brasil
Septiembre 24, 2007
A cesária de meu filho foi a melhor coisa que me aconteceu até hoje. Penso nela e sorrio pois sei que ela ficou lá pra trás e que foi por causa dela que eu cresci tanto e aqui estou. No entanto, olho para meu primeiro filho e mal consigo conter as lágrimas pensando na forma como ele nasceu. Sinto uma tristeza enorme ao lembrar das primeiras horas depois do nascimento e mais, das inúmeras horas no meio da noite nos primeiros meses de vida dele que eu me perguntava uma e outra vez o que havia acontecido comigo, com meu corpo, com meu bebê, ou o que não havia acontecido.
Quando a dura realidade caiu na minha frente, ou melhor descortinhou-se diante de mim, a dor foi imensa, aí sim, condizente com aquela cicatriz que agora eu carregava e que até aquele então parecia inofensiva, abaixo da linha do biquini, tecnicamente perfeita. Quando a verdade aparece ela é dura demais e é o que vem acontecendo com inúmeras mulheres todos os dias nesta cidade, nos hospitais aqui perto de mim e em todo o país. São 80% das mulheres que preferem o parto normal e mais ou menos a mesma parcela que vê seus sonhos irem por água baixo, deslizarem corredor afora enquanto elas são empurradas para centros cirúrgicos onde suas vidas e as de seus bebês serão salvos pela tecnologia moderna da operação cesariana.
Sim, pois a cesariana foi criada para salvar mãe e bebê e hoje ela mata mais do que acidente da TAM e nem por isso estamos de luto. A cesariana foi pensada para salvar e hoje ela é usada para dizer à mãe que ela e seu bebê não foram viáveis a não ser através das mãos da medicina: foi o cordão, o tempo, a placenta, a posição, a idade da mãe, as semanas do bebê, a falta de dilatação, a vagina velha, o bebê preguiçoso, a cabeça grande, a vida sedentária, a mulher de hoje, e tantas outras desculpas para usar essa tecnologia que não é melhor do que o parto normal e nem precisava ser. Ela não deveria ser uma opção de parto e sim um salvamento, a resolução de uma emergência. Como parto, ela é capenga e faz meus olhos encherem de água ao pensar que foi somente isso que dei ao meu primeiro filho. Somente isso que minha mente moderna e racional conseguiu alcançar porque para dar mais hoje é preciso muito mais do que querer.
A gravidez toda eu só falei de parto normal, nem mencionei a cesariana pois não imaginava possível isso acontecer comigo: eu era forte, minha mãe tinha tido 4 partos normais e fáceis e eu não tinha medo da dor, ao contrário, não queria saber de drogas, eu que nem tylenol mais tomava quando tinha enxaqueca não imaginava ter que tomar anestesia num parto. Aí minha médica pediu para falar com o anestesista pois ela não faria meu parto sem anestesia. Ela disse que precisava de mim atuante no parto e temia que a dor fosse insuportável. No escritório do anestesista ouvi uma mistura de miligramas e quantidades de drogas mas a conclusão deles (não minha) é que se eu não tomasse uma analgesia na hora que a médica queria, eu acabaria tomando mais depois (?)… e nada disso chegava no bebê. Estava pagando para ouvir isso?
Sim, porque eu estava pagando o parto, a equipe e até a enfermeira obstetriz que apareceu nas últimas semanas “já que vc quer mesmo normal” – uma não, duas. Ambas trabalhavam no hospital onde meu filho nasceria e caso a primeira não pudesse ficar comigo porque estava de plantão, a outra ficaria. A estas alturas, doutora, mais 300 aqui, menos ali, não faria diferença. E foi assim que entramos na última semana de gestação. Sem curso de preparação para o parto – isso é natural, meu corpo entende disso e eu vou sacar na hora… sem curso de preparação de pais – bbs são fáceis, o que pode existir de tão complicado num bebê… e esperando algo mudar, pois minha vida estava dividida em trabalho, pagear minha mãe que veio conhecer o neto e esperar. Eu esperei até quase 40 semanas: minha bolsa arrebentou às duas e trinta da madrugada e fui à maternidade como recomendado pela médica.
Chegando lá fui examinada por uma das obstetrizes que me admitiu com 2 dedos de dilatação e contrações super fortes – de acordo com ela, pois eu não sentia nada. Fui para um cubículo onde podia ouvir as mães que realmente estavam em trabalho de parto gemendo e deitei numa maca alta com um cinto que media os batimentos cardíacos do meu bebê e lá fiquei no escuro ouvindo a conversa entre minha mãe e a enfermeira obstetriz que não estava de plantão e que eu estava pagando para me acompanhar. Duas horas e meia depois, os números do coração do meu bebê sempre constantes, nada de evolução, nada de dor – seria eu uma dessas abençoadas que não sentem dor? – a sentença. Lembro que na hora eu estava sozinha, até agora não entendo por quê. Ela disse que ele estava sofrendo. Por que? Como? Estas linhazinhas juntinhas aqui nesta tira de papel indicam isso. Sentada na maca, chorei. Uma menção de consolo e pronto, estava feito.
Ele nasceu uma hora depois, teve que ser empurrado para fora com ajuda do anestesista, eu estava com os braços amarradaos em forma de cruz e ouvi todas as conversas paralelas. Meu marido não falava comigo, ninguém falava comigo, e ainda assim perguntei se poderiam deixá-lo mais tempo na sala, quando já a enfermeira parecia estar na porta. Não, falta de pessoal do hospital, ninguém queria se responsabilizar e lá se foi ele. Lembro de ainda na recuperação minha cunhada me contar o quanto ele chorava no berçário… mas aquelas palavras soavam estranhas, afinal bebês choram, não é mesmo? Hoje choro de pensar que pude deixá-lo chorando sozinho num berço aquecido quando mãe e pai estavam ali ardendo por segurá-lo, conhecê-lo. Muita coisa estava errada!
A primeira desculpa foi o tamanho da cabeça dele. A segunda ,quando eu estava deixando a maternidade, foi a vida sedentária das mulheres hoje em dia e a terceira quando fui tirar os pontos foi: “da próxima vez, deixo você esperando”. Mas quem falou em pressa? Quem? Quem? Não fui eu.É fácil falar que o mundo de hoje não comporta mais isto ou aquilo mas são 80% das mulheres que afirmam desejar o parto normal e elas não tem aonde ir pois 80% dos partos são realizados por profissionais que não querem e não sabem… ouvir!
Ouçam de uma vez: nós queremos parir! E queremos apoio para isso: da medicina, do estado, dos hospitais! Nós queremos cuidar de nossos recém-nascidos, nós pais, e queremos apoio para isso dos profissionais de saude, hospitais e médicos. Nós queremos sinceridade: não é o cordão enrolado, é a remuneração do seguro, não é o resultado do US, mas o carnaval chegando, a formatura de sua filha, o casamento de seu irmão… eu posso lidar com isso se você lidar com isso. O ônus dessas mentiras hoje é pago pelas mães e seus bebês…. estamos abandonadas nestas questões e não queremos mais ficar assim!
A cesária do meu filho foi a melhor coisa que me aconteceu, pois foi onde perdi a virgindade em relação à medicina atual e posso hoje cuidar dos meus filhos muito melhor do que antes. Pude parir os outros dois em casa rodeada de amor e segurança. Posso hoje tomar decisões maduras e de olhos bem abertos em relação a eles e vou sempre lembrar do enorme engodo que foi o pré-natal e o parto do primeiro. Hoje, sou melhor do que eu era porque sofri uma desnecesária… e hoje digo que ninguém precisa passar pela dor da enganação. Por isso estarei nesta audiência e peço que todos que possam estejam lá. É, sem dúvida, a coisa mais importante que aconteceu nos últimos tempos para mães e bebês.
Esta audiência é aberta e estará repleta de mães e bebês que se importam com a forma do nascimento. Ela será dia 26 de setembro e é uma inciativa da Parto do Princípío. Leia mais aqui: www.partodoprincípio.com.br
Sua presença é um ato de cidadania… um ato público em defesa das mães e bebês de todo o país! Compareça, nem que seja pra conhecer essas mulheres maravilhosas que formaram a Parto do Princípio.




